segunda-feira, 29 de maio de 2017

Manchester: Um Outro Lado Da Tragédia


Eu não estou aqui para falar de números ou de razões incoerentes, muito menos para detalhar os momentos de horror que milhares de pessoas viveram. Estou aqui para falar de uma parcela de atingidos que os jornais parecem estar esquecendo, quando na verdade todos que estavam na arena ficaram para sempre marcados com o ódio espalhado naquela noite.

Em todos os concertos e eventos pelo mundo afora, pessoas são contratas para suprir as necessidades da noite. Limpeza, organização, segurança. Eles costumam vir de agencias especializadas ou aceitam o emprego pela necessidade, e eles estão lá. Estão lá na entrada, durante as músicas e na hora da saída. Sempre sem serem vistos até que alguém tenha alguma pergunta ou precise se localizar.

São homens e mulheres. São pais, mães, filhos, irmãos, amigos, cônjuges. Quem poderia imaginar? Será que se alguém tivesse tido algum sonho, algum pressentimento teria evitado ir trabalhar naquela noite?

Não esqueci da promessa de não falar dos detalhes, mas vamos usar a empatia por um momento. Você está no banheiro limpando, organizando todos da equipe da turnê, ou zelando pela segurança de uma multidão de adolescentes. De repente, um estrondo. Gritos. Lágrimas. Será que esses trabalhadores sem identidade, sem ênfase no quão importante é o trabalho deles conseguiram encontrar a saída tão facilmente quanto os músicos, assistentes e até a Ariana? Quem se preocupou em protege-los? Quem, ao menos, se lembrou deles?

Me pergunto se quando tudo aconteceu, alguém notou o que realmente estava acontecendo. Não foi um acidente, não foi obra do acaso. Foi planejado, estudado e calculado. Era para machucar, matar e assustar. Isso mesmo, na arte. A mesma arte que cura, que acalma.

Me pergunto, também, se eles tentaram ajudar as crianças. Talvez o pior lugar para se estar em uma situação como essa, é o lugar de segurança. Como será que eles estão se sentindo? Culpados, muito provavelmente.

Quando tudo acabou, quando mais informações apareceram, lágrimas invadiram os olhos de todos os países, pelas famílias, pelas crianças, pela cantora. Conseguir uma entrevista com os envolvidos deve estar sendo tarefa difícil. Mas ninguém pensou em falar com o zelador, com o montador de palco, não é?!

Tudo isso é só mais uma prova do quão burgues o pensamento das pessoas é. Todos merecem nossa atenção e nossas preces. Todos. A pessoa que limpava, que zelava, os assistentes, os dançarinos, os músicos e a platéia. Todos sofreram, todos foram marcados pela intolerância.

Todos gostariam de apagar aquela noite da história, de poder voltar no tempo e evitar que tudo isso acontecesse. Isso não vai acontecer. A partir daquele dia, essas pessoas tem medo de sair de casa, de trabalhar, de viver. Aos poucos, saberão que só existe uma opção para elas, assim como para todos nós: conviver com a dor e o medo, e lutar por dias melhores.


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quinta-feira, 25 de maio de 2017

RESENHA: Delineador Em Caneta Da Tracta




Eu amo maquiagem. E quando eu digo amo quero dizer que não vou na esquina sem. Tá, na esquina até vai né, mas pra qualquer ocasião que eu vá encontrar pessoas, então vou montada. HAHA!

Às vezes eu brinco que em outra vida fui drag queen, e isso se deve ao meu amor por todo esse universo. Por isso, estou sempre atenta as novidades de produtos, marcas e técnicas que vão surgindo.

Uma marca que chegou de mansinho mas que acabou conquistando o amor de muita gente foi a Tracta, principalmente pelo seu custo benefício, que é bem em conta. Confesso que sou louca para experimentar os batons da Bruna Tavares, do Pausa Para Feminices, mas acabei optando por testar primeiro o delineador em caneta deles.

Por muito tempo eu evitei usar delineador, porque meu olho é pequeno, redondo e minha pálpebra móvel é gordinha, fazendo com que até o mais fino dos traços tampe todas as sombras que eu colocar. Mas, aos pouquinhos, fui encontrando o delineado perfeito para o meu olho. Aí foi só amor!

Até então só tinha usado o delineador liquido convencional, e evitava os em caneta pela fama de que acabavam rápido e que não eram tão pigmentados quanto as versões liquidas e em gel.

Vamos as notas?

Sobre a embalagem: É bem prática e sem muita decoração, a tampa protege bem do ar. Nota: 9,0 \o/


Sobre o pincel: É bem fininho e gostosinho de aplicar, mas, juro, depois de uma semaninha de uso ele entupiu e a tinta só saía pelas bordas. AFE! Nota: 7,5


Sobre a cor: Nas primeiras aplicações a cor é bem pigmentada, mas depois vai perdendo a vida. Pra vencer isso deixei de molho da água bem quente durante alguns minutos e ajudou um pouco. Nota: 8,0

Avaliação final: 8,1.

Você encontra o produto nos estandes da Tracta nos shoppings, nas Lojas Americanas ou na Renner. Também da pra comprar online no site desta última. O preço em média é de R$39,90.

Agora vamos ver algumas fotinhos de como eu uso o delineador:    

Aqui eu apenas acompanhei o formato do meu olho, começando mais fininho, erguendo no meio e engrossando no final. Essa foi uma das primeiras vezes que eu usei, então a cor ainda estava bem viva.

Nesse dia eu fiz gatinho, e o que me surpreendeu foi o fato de que o pincel facilita muito na hora de puxar o traço!


Essa foto é de depois de mais de um mês de uso. A cor está mais clarinha mas ainda vai! 


E aí, você também experimentou esse delineador? Tem dicas de outros produtos? Deixe nos comentários!

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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Não


Não, não é como se ela esperasse que um ator de TV batesse a sua porta com um buque de flores, nem tão pouco se achasse boa demais para tudo que encontrava, mas tinha a sensação de que nada ali era feito para ela.

Por vezes, desejou ter alguém para segurar a sua mão, para ir ao cinema ou simplesmente ter alguém para encontrar ao fim do dia. Porém, todas as vezes que uma pessoa se candidatava ao cargo, ela encontrava esse ou aquele defeito que não se era possível conviver, ou pior: se entediava.

Maluca, vai morrer sozinha, diziam.  Aquele que a apoiaria, sonharia junto dela e dividiria a vida, nunca parecia chegar. E a medida que o tempo foi passando, a perspectiva de que a segunda oração deste parágrafo se concretizaria se tornava tão real quanto o espaço vazio do outro lado da cama.

Certamente, havia algo de errado com ela, pensava. Como pode alguém não suportar ficar mais do que uma ou duas semanas semanas com a mesma pessoa? Claro que já havia pensado em várias hipóteses, partindo de freira para homossexual. Mas o celibato certamente não era para ela, e por mais que considerasse certas mulheres dividas, queria mais ser elas do que estar com elas.

Sentia essa dura realidade todos os dias, mas em dias cinzentos como esse, a solidão invadia seu peito, e se mostrava presente em cada respiração, em cada movimento que fazia. E era em dias como esse que mais pedia ajuda do Universo para que essa questão fosse resolvida com a mesma rapidez com que em uma hora chovia e na outra apenas ventava. E quando enfim novo dia nascia, ela esquecia do sofrimento de horas antes e continuava a sonhar com parceiros perfeitos e a fugir dos reais.

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